Até a pessoa atingir certa idade, o interior é maçante; de todo modo, não gosto da natureza em geral, e sim em particulares. De todo modo, a não ser que o sujeito esteja apaixonado, satisfeito, movido pela ambição, desprovido de curiosidade ou reconciliado (o que parece servir como sinônimo moderno de felicidade), a cidade é que nem uma máquina monumental incansável projetada para a perda de tempo e das ilusões. Após algum tempo, a busca e a exploração podem se tornar sinistramente apressadas, a transpirar ansiedade, numa corrida de obstáculos de Benzedrine e Nembutal. Onde está o que você procura? E, por falar nisso, o que você está procurando? É o fim recusar um convite; as pessoas vivem alegando compromissos, só para aparecerem de surpresa; afinal, é difícil se manter distante quando os mexericos insistentes dão conta de que, ao permanecer afastado, você atirou o amor pela janela, negou sua resposta e perdeu para sempre o que estava procurando: ah, pensar! Tudo o aguarda a meras dez quadras dali: corra, ponha o chapéu, não pegue o ônibus, vá de táxi, agora corra, toque a campainha: alô, bobão, primeiro de abril.
Truman Capote (Os cães ladram)





